30.8 C
Campo Grande
03/04/2025 - quinta-feira
spot_img
InícioCulturaEunice Paiva, matriarca de “Ainda Estou Aqui”, financiou o aborto do próprio...

Eunice Paiva, matriarca de “Ainda Estou Aqui”, financiou o aborto do próprio neto, revela livro de Marcelo Rubens Paiva

Eunice Paiva desempenhou papel central na decisão do aborto do próprio neto, conforme revelou Marcelo Rubens Paiva em seu livro, que inspirou o filme Ainda Estou Aqui. O autor narrou que sua mãe não questionou sua escolha e viabilizou financeiramente o procedimento.

“Ela nem pensou duas vezes. Não deu lição de moral, uma dura, não reagiu emocionalmente, usou a razão, como sempre. Deu o dinheiro, apoio e ainda exigiu o melhor”, escreveu Marcelo em um capítulo não incluído na adaptação cinematográfica.

Contexto da decisão

Em 1979, Marcelo cursava o terceiro ano da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e dependia financeiramente da mãe. Ele relatou que, após um final de semana na casa de praia de amigos, sua namorada, de 18 anos, engravidou. Diante da situação, buscou alternativas para o aborto, considerando que a família da jovem era conservadora. Para justificar a ausência da companheira, informaram aos familiares que fariam uma viagem.

Escolha do procedimento

Marcelo pesquisou diferentes métodos e optou pelo aborto por sucção, que considerava o mais seguro. O custo elevado do procedimento o levou a solicitar apoio financeiro à mãe, que residia no Jardim Paulista, bairro de São Paulo. “Minha mãe era assim: não me deu uma dura por engravidar a namorada, me deu uma força para resolver o problema”, relatou no livro. O aborto ocorreu em uma clínica no Itaim, indicada pelo ginecologista de Eunice.

Reflexões sobre a postura materna

Marcelo descreveu Eunice como machista, afirmando que “topava as maluquices e irresponsabilidades do filho homem. Não as das meninas”. No livro, não há menção à vontade da jovem em relação ao aborto, deixando dúvida sobre sua autonomia na decisão.

Procedimento médico e legislação brasileira

O aborto por sucção consiste na dilatação do colo do útero e remoção do feto por meio de um tubo de vácuo. Segundo o Dr. Renato Sá, vice-presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro, “geralmente a aspiração é feita de uma vez, retirando o saco gestacional inteiro”. A ginecologista Beatriz Barbosa complementa: “Na aspiração, a mulher é anestesiada e injetado um tipo de seringa grande, que faz o vácuo, na cavidade uterina. Em geral, é uma única sugada, mas pode ocorrer mais de uma se precisar. Costuma ser feito até 12 semanas de gestação”.

No Brasil, a legislação não prevê punição para o crime do aborto em casos de estupro, risco de vida para a gestante ou diagnóstico de anencefalia no feto.

Consequências e silêncio familiar

Marcelo tenta se mostrar ‘solidário ao trauma da companheira’ ao descrever sua permanência na clínica enquanto a namorada realizava o procedimento. “Esperei horas num sofá, não dormi e fiquei segurando a mãozinha dela”, escreveu. Segundo ele, Eunice nunca mais mencionou o episódio.

No mesmo ano, Marcelo sofreu um acidente que o deixou paraplégico. “Quando acordei na UTI, eu estava paralisado do pescoço para baixo. Ela (mãe) ficou do meu lado. Mas aí é outro livro”, concluiu, referindo-se à sua obra Feliz Ano Velho.

Reportagem original publicada pelo portal Gazeta do Povo

spot_img
ARTIGOS RELACIONADOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Publicidade -spot_img

Recentes

Comentários Recentes