A nova estudante de Direito da UCDB, Nicole Vital, além do Vade Mecum, tem um “AU”xílio indispensável na faculdade: sua fiel companheira, Olinda, uma labradora de dois anos. Ela é a primeira cão-guia a frequentar a universidade no Mato Grosso do Sul, acompanhando Nicole em sua jornada acadêmica no curso de Direito.
Nicole nasceu com baixa visão devido a uma atrofia no nervo óptico e, há dez anos, perdeu totalmente a visão. “O cão-guia é muito importante para minha mobilidade, para que eu possa me mover com mais agilidade. Ele é classificado como um equipamento de trabalho, mas também é fundamental para minha socialização”, afirma Nicole.
Uma “AUla” cheia de aprendizado
A chegada de Olinda à universidade não foi por acaso. Assim como os calouros encaram o vestibular, a labradora passou por um longo processo de aprendizado e treinamento. Nicole foi escolhida em um processo seletivo gratuito realizado pelo Instituto Federal Catarinense, que conecta pessoas com deficiência visual a cães-guias treinados.
“O tempo de preparação do cão-guia começa desde filhote. Ele nasce em uma ninhada preparada especialmente para essa função”, explica Lauanna Alacara, instrutora de cães-guias.
Após a primeira fase de estimulação neural, o cão passa um período em uma família voluntária, que o expõe a diversos ambientes para que ele se acostume às situações do dia a dia. Depois, recebe o treinamento específico para se tornar guia.
Direito garantido por lei
A Lei nº 11.126, de 2005, publicada no Diário Oficial da União, assegura que pessoas com deficiência visual tenham o direito de ingressar e permanecer em qualquer ambiente de uso coletivo acompanhadas de seu cão-guia. Na UCDB, o Núcleo de Apoio Psicopedagógico (NAP) também auxilia alunos com necessidades especiais, garantindo suporte pedagógico e estratégias inclusivas dentro da sala de aula.
“A presença do cão-guia torna o ambiente mais seguro e acessível para a Nicole. Também trabalhamos a conscientização de alunos e professores para um manejo adequado dentro da sala”, afirma Michelli Moura, coordenadora do NAP.
Colegas de classe aprovam a nova aluna
Os colegas de Nicole se adaptaram bem à nova presença na sala de aula. “É uma experiência muito boa porque Olinda é dócil e não atrapalha a ‘AUla’. Ela só fica deitada e ajuda a Nicole. É uma inclusão muito importante”, comenta a estudante Laura Pedro.
A família de Nicole sempre buscou garantir sua independência. “Quando descobrimos sua deficiência visual, logo procuramos o Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos, onde ela fez várias atividades para desenvolver autonomia , diz a mãe, Alessandra Ferreira Vital.
Importante lembrar: não distraia um cão-guia!
Olinda é um ser vivo e tem necessidades fisiológicas, carinho e momentos de lazer, mas, durante o trabalho, é essencial que ela não seja distraída. “As pessoas não devem tentar brincar, alimentar ou fazer carinho enquanto o cão está guiando a pessoa com deficiência visual”, alerta Lauanna Alacara.
Com Olinda ao seu lado, Nicole segue firme em sua jornada acadêmica, provando que a inclusão e a acessibilidade fazem toda a diferença para um aprendizado mais justo e igualitário. Afinal, além do Vade Mecum, um bom advogado também precisa de um grande “AU”xílio.
Com informações: Assessoria de Comunicação MSMT/UCDB – Escrito por Eduarda Victória