Tecnologia permite conversão de sinais cerebrais em fala
Ann, uma mulher de 47 anos com tetraplegia, voltou a falar após 18 anos por meio de uma neuroprótese baseada em inteligência artificial (IA). O dispositivo, composto por 253 eletrodos implantados em seu cérebro, capta sinais neurais e os converte em palavras, emitidas por uma voz sintética semelhante à que possuía antes de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) aos 30 anos.
Desenvolvimento da pesquisa
O sistema foi desenvolvido por pesquisadores das Universidades da Califórnia em Berkeley e São Francisco e publicado na revista Nature Neuroscience. A tecnologia representa um avanço nas interfaces cérebro-computador (BCI, na sigla em inglês), permitindo que pensamentos se transformem em fala audível em um intervalo de três segundos. Pesquisas anteriores exigiam a formação completa de uma frase antes da conversão em som.
Aplicação da inteligência artificial
Os cientistas aprimoraram a tecnologia com algoritmos de IA que decodificam frases à medida que Ann as formula mentalmente. Para reconstruir sua voz, a equipe treinou os algoritmos com gravações de um vídeo de seu casamento, preservando o tom e o timbre originais.
Processo de implantação do dispositivo
Ann sofreu um AVC no tronco encefálico em 2005, o que comprometeu sua fala. Em 2023, ela passou por uma cirurgia para a inserção do implante, um dispositivo fino colocado sobre seu córtex cerebral. A tecnologia registra a atividade de milhares de neurônios e transforma os sinais captados em palavras.
Impacto e perspectivas futuras
Os resultados indicam um avanço em relação aos dispositivos de comunicação assistida que Ann utilizava, reduzindo o tempo necessário para a emissão de frases. A pesquisa abre possibilidades para pessoas com dificuldades de comunicação decorrentes de doenças neurológicas, evidenciando o potencial das interfaces cérebro-computador no desenvolvimento de novas formas de interação humana.
Com informações: Gazeta Brasil