Declaração ocorre durante evento político
José Dirceu afirmou que nunca deixou o Partido dos Trabalhadores (PT), ao rebater críticas sobre sua atuação na sigla. A declaração ocorreu durante evento de Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara, apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas enfrentando resistência na corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB).
“Críticos dizem que os mensaleiros querem voltar; nós nunca saímos”, declarou Dirceu, segundo o jornal O Globo. A frase respondeu às acusações de que ele busca retomar influência no partido ao lado de figuras ligadas ao Mensalão.
Disputa pela liderança do PT
A eleição para a presidência do PT, marcada para 6 de julho, opõe Edinho a Gleisi Hoffmann, ministra das Relações Institucionais. O embate expõe divergências internas sobre o futuro da legenda.
Dirceu, que pretende concorrer a deputado federal em 2026, usou o evento para reafirmar sua permanência na política e sua participação na trajetória do partido. Ele citou a anulação de suas condenações no Mensalão e na Lava Jato pelo ministro Gilmar Mendes, em 2022.
Posicionamento de Dirceu
Ao discursar, Dirceu mencionou antigos aliados. “Agora eu ouço dizer de alguns críticos da candidatura que ‘os mensaleiros querem voltar’. Primeiro, eu nunca saí, nem o Delúbio [Soares], nem o [João] Vaccari [Neto], nem o João Paulo [Cunha], nós nunca saímos.”
A declaração foi seguida de aplausos. Ele defendeu Edinho como “o melhor perfil para liderar uma renovação no PT” e voltou a afirmar que “o Mensalão foi uma farsa”, sustentando a tese de que o escândalo de 2005 representou uma injustiça. A afirmação desconsidera a vasta lista de provas juntadas aos autos do processo julgado no STF, em 2012.
O processo do Mensalão (Ação Penal 470) julgou um esquema de corrupção envolvendo compra de apoio político no Congresso Nacional durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com informações da imprensa e documentos do Supremo Tribunal Federal (STF), a acusação reuniu mais de 50 mil páginas de provas distribuídas em dezenas de volumes anexados ao processo.
Entre os principais elementos apresentados pelo Ministério Público Federal (MPF), destacam-se:
- Quebras de sigilo bancário e fiscal demonstrando movimentação de recursos entre empresas e parlamentares.
- Depoimentos de testemunhas e réus, incluindo confissões parciais sobre o esquema.
- Relatórios do Banco Central e da Receita Federal, detalhando transações financeiras incompatíveis com as atividades declaradas pelos envolvidos.
- Documentos de empréstimos fraudulentos contraídos no Banco Rural e no BMG para financiar o esquema.
- Rastreamento de saques e pagamentos em espécie, apontando distribuição de dinheiro a políticos aliados do governo.
O julgamento, realizado pelo STF em 2012, resultou na condenação de 25 réus, incluindo José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e Marcos Valério, com penas que variaram entre prisão, multas e outras sanções. O caso marcou a história do país como um dos mais emblemáticos no combate à corrupção política.
Reações internas no partido
A fala de Dirceu aumentou as tensões na disputa pela presidência do PT. Gleisi Hoffmann evitou responder diretamente, mas aliados como o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) criticaram a volta de “velhas práticas” à direção do partido. “O PT precisa olhar para o futuro, não para o passado”, disse Teixeira ao Metrópoles.
Por outro lado, aliados de Edinho, como o senador Humberto Costa (PT-PE), destacaram a “lealdade histórica” de Dirceu. A eleição interna influenciará os rumos da sigla para 2026, ano em que Lula buscará a reeleição e Dirceu tentará retornar à Câmara dos Deputados.
Com informações: Brasil Paralelo / Veja / Metrópolis